Aos amigos, parentes, familiares, e principalmente á sua filha Natália De Pinho Gonçalves, meus sinceros sentimentos.
E ao querido amigo Cabelada, desejo uma ótima passagem e vou além... Tenho certeza que "o outro lado do Caminho" já está em festa com a chegada dele.
(Segue abaixo uma crônica do meu livro Crônicas Casos e Causos")
Todo juiz é ladrão. Cabelada não !
O juiz de futebol Luiz Carlos Gonçalves, mais conhecido nos meios futebolísticos, rodas de samba do Clube Elite, quadras das escolas de samba, principalmente na sua querida Vila Isabel, como Cabelada, começou a frequentar Búzios nos anos 80. Com sua alegria, logo conquistou muitos amigos na cidade, em sua maioria pescadores, que lhe vendiam os peixes para suas aventuras culinárias sempre regadas a muitas cervejas geladas e que terminavam com uma degustação de excelentes puros cubanos.
Cabelada, quando estava na cidade, participava dos jogos do campeonato local e sempre depois dos jogos se colocava à frente da batucada durante o churrasco, fosse na vitória ou na derrota a festa estava garantida. Numa dessas batucadas, acabou tendo a ideia de fundar um bloco cujo nome Rola Cansada não agradou muito à comunidade, assim como também a galera que já estava começando a perder o faro e não dando conta do recado, se sentiram ofendidos.
O bloco Rola Cansada tinha até um bar com o mesmo nome que virou a sede oficial. Quando desfilava arrastava uma multidão devido a alegria e a irreverência do Cabelada que era o autor dos sambas cujas letras bem-humoradas tinham sempre um duplo sentido. E a fama do bloco se espalhou por toda região, onde em um dos desfiles teve a presença do poderoso Castor de Andrade, que apesar de diversos compromissos no carnaval, se rendeu ao convite do amigo e acompanhou o bloco do começo ao fim.
O bon Vivant Cabelada morava em Búzios no segundo andar de uma casa alugada ao Silvano, dono do famoso Bar Nascimento, que para os moradores era chamado de bar do Silvano, onde costumavam se reunir frequentadores sem que houvesse distinção de cor, credo ou classe social.
Em um final de semana, que com certeza seria igual a todos, Cabelada reuniu um grupo de amigos para comemorar o aniversário de um deles. Entre os convidados estavam jogadores, policiais, bicheiros e gente do samba, além de amigos locais. A música era boa, a cerveja estava estupidamente gelada, o whisky era o melhor e a conversa totalmente animada. Ainda era cedo, nem 23h, quando um cidadão que tinha alugado a casa em frente começou a gritar ofensas e fazer ameaças, e o pessoal da festa mandou o cara ficar quieto e ir dormir já que ele era que estava incomodando. Nesse meio tempo, já debaixo de vaias, o cara entra em casa e volta com um revólver na mão, gritando: - Se não acabar a bagunça agora, eu vou mandar bala aí para cima.
Uns seis convidados da festa se afastaram da sacada da casa e logo voltaram com armas na mão, inclusive uma metralhadora, e um deles calmamente falou: - O senhor vai fazer o quê? Mandar bala?
Quando viu a confusão que se meteu, o cara recuou até dentro de casa e em seguida apareceu com uma mala, entrou às pressas no carro e sumiu. O medo foi tão grande que ele foi embora, esquecendo a mulher, filha, sogra, cachorro...





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