O GATO BANGUELA
Durante uma etapa do Campeonato Estadual de MotoCross
realizada em Armação dos Búzios, mas precisamente em uma fazenda as margens da
estrada Búzios-Cabo Frio no bairro de José Gonçalves, pude presenciar uma das
cenas mais engraçadas e pitorescas da minha vida.
Ao chegar ao local por volta das 12.30 h, já que a primeira
bateria da competição se iniciaria as 13.00h, fiquei abismado com a enorme
multidão presente ao local. O motivo de tanta gente era que na noite anterior a
fazenda foi invadida por cerca de vinte mil pessoas por ter sido palco de uma
festa Rave. A estrada estava em ambas às direções completamente tomadas, de
veículos de todos os tipos e tamanhos, barracas de camping que apesar do forte
calor, abrigavam os dorminhocos que não tiveram pique para agüentar até o
final, havia também dezenas de barraquinhas vendendo bebidas e comidas, e
centenas de seguranças sonolentos que insistiam apesar de completamente suados,
circularem em seus ternos pretos para tentar ainda impor sua efêmera autoridade,
mesmo sem estarem mais trabalhando.
Apesar da reclamação de alguns moradores pelo barulho causado
pela festa, e até discursos inflamados de alguns vereadores na câmara dizendo
que no local só havia drogado, que o hospital da cidade estava lotado de jovens
que foram socorridos na festa, chegando inclusive a dizer que este tipo de
festa é coisa do diabo, a maioria da população da localidade aprovou,
principalmente os pequenos comerciantes que venderam o estoque de uma semana em
um dia, isto falando também de pessoas que alugaram casas, catadores de
latinhas e até fanáticos religiosos que aproveitaram o burburinho para anunciar
o fim do mundo.
Depois de assistir duas baterias da competição, resolvi ir
até um bar da esquina beber algo para matar a sede. O bar estava totalmente
lotado e a cozinha não dava conta de tantos pedidos de refeição. Ao chegar ao
canto do balcão encontrei três amigos, entre eles o famoso Tinho, dono do
quiosque dos pescadores, na praia da Armação, que por infelicidade há alguns
anos atrás, perdeu parte de uma perna em um acidente e precisava usava uma
prótese. Os três já estavam muito além do que o bafômetro permite, inclusive um
deles tava com o bafo tão forte, que só com o bafo dava para pedir um
tira-gosto. Mas o motivo engraçado desta estória ainda estava por vir.
Depois de mais algumas cervejas, o ambiente estava cada vez
mais alegre devido às estórias de pescarias e piadas contadas pelo Tinho, e foi
numa dessas piadas que o Tinho rindo sem parar, saiu andando sem olhar para o
chão e pisou no rabo do gato do bar, e o que se escutou em seguida foi um miado
super estridente que fez com que todos do bar olhassem para o nosso amigo que
dizia:
- Pode morder a
vontade que eu não to sentindo nada, você pegou a perna errada colega, vai
ficar banguela.
E foi uma gargalhada geral. E, em seguida olhou para o gato e
disse:
-Colega, foi sem
querer, para pagar pelo que fiz eu vou ti dar a quentinha que eu ia levar para
casa, se você conseguir comer é claro.
Só sei que, com ou sem dente o gato devorou a comida toda, para
alegria do Tinho.
