TODO JUIZ É LADRÃO. CABELADA NÃO!
O
juiz de futebol Luiz Carlos Gonçalves, porém muito mais conhecido tanto nos
meios futebolísticos, como nas rodas de samba do Clube Elite e também nas
quadras das escolas de samba, e principalmente sua querida Vila Isabel como
Cabelada, começou frequentar Búzios nos anos 80, e devido sua alegria logo
conquistou muitos amigos na cidade, em sua maioria pescadores, que lhe vendia
os peixes para suas aventuras culinárias sempre regadas a muitas cervejas
geladas e que terminava com uma degustação de excelentes puros cubanos,
Cabelada
quando estava na cidade participava dos jogos do campeonato local e sempre
depois dos jogos se colocava a frente da batucada durante o churrasco, fosse na
vitória ou na derrota a festa estava garantida, e numa dessas batucadas acabou
tendo a ideia de fundar um bloco cujo nome Bloco da Rola Cansada não agradou
muito a comunidade, assim como também a galera que já estava começando a perder
o faro, ou seja; não estava mais dando conta do recado e se sentiram ofendidos.
O
bloco Rola Cansada tinha até um bar com o mesmo nome que virou a sede oficial,
quando desfilava arrastava uma multidão devido a alegria e a irreverencia do
Cabelada que era o autor dos sambas cujas letras bem-humoradas tinha sempre um
duplo sentido. E a fama do bloco se espalhou por toda região, onde em um dos
desfiles teve a presença do poderoso Castor de Andrade que apesar de diversos
compromissos no carnaval, se rendeu ao convite do amigo Cabelada e acompanhou o
bloco do começo ao fim.
O
bon Vivant Cabelada morava em Búzios no segundo andar de uma casa alugada ao
Silvano, dono do famoso Bar Nascimento, que para os moradores era chamado de
bar do Silvano, onde costumava se reunir frequentadores sem que houvesse
distinção de cor, credo ou classe social.
Em
um final de semana que com certeza seria igual a todos, Cabelada reuniu um
grupo de amigos para comemorar o aniversário de um deles. Entre os convidados
tinham jogadores, policiais, bicheiros e gente do samba, além dos amigos locais.
A música era boa, a cerveja estava estupidamente gelada, o whisky eram os
melhores, e a conversa totalmente animada. Ainda era cedo, acredito que não era
nem 23h quando um cidadão que tinha alugado a casa em frente, começou a gritar
ofensas e fazer ameaças, e o pessoal da festa mandou o cara ficar quieto e ir
dormir já que ele era que estava incomodando. Neste meio tempo já debaixo de
vaias, o cara entra em casa e volta com um revólver na mão e grita: - Se não
acabar a bagunça agora eu vou mandar bala aí para cima. Uns seis convidados da
festa se afastaram da sacada da casa, e logo voltaram com armas na mão, um
inclusive tinha uma metralhadora, e um deles calmamente falou: - O senhor vai
fazer o que? Mandar bala? O cara quando
viu a confusão que se meteu, recuou até dentro de casa e logo em seguida
apareceu com uma mala, entrou ás pressas no carro e sumiu. O medo foi tão
grande que ele foi embora e acabou esquecendo a mulher, filha, sogra,
cachorro...
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