SINDICATO DO ÁLCOOL
Naquela tarde quente no Bar Nascimento
acontecia uma reunião que prometia com certeza acabar em confusão. Índio, Manuel
Dandá Neném, Ana Paula Batalhão, Macaé, Fica Bobo Aí Manel, Mingolo, e Valdir
Pela Saco, faziam uma espécie de prestação de contas da grana arrecadada e das
cachaças consumidas durante a semana.
Ninguém sabia dizer ao certo quem chegou
primeiro em Búzios, ou como se conheceram, mas aquela amizade etílica acabou
virando uma verdadeira família etílica. E viviam todos em perfeita harmonia,
digo confusão, naquela casa em ruínas em plena Rua das Pedras.
O Índio que
consertava fogões dizia ter abandonado a tribo, já que o rio já que margeava a aldeia,
não o satisfazia mais e ele precisava conhecer o mar. O Manuel se dizia
mexicano e ex-combatente, mas descobriram depois que ele era garçom no Rio
Grande do Norte. Da Ana Paula souberam que ela tinha uma família até com uma
boa situação financeira, quando descobriram que ela estava em Búzios e vieram busca-la.
Macaé ninguém sabia de onde veio, já que no tempo que estava sóbrio não falava
com ninguém , mas bêbado falava o tempo todo repetindo tudo que escutava
durante o dia. O tal do Fica Bobo veio da cidade de Campos e não sabia ou não
queria fazer nada. Mingolo tinha vindo da cidade Macaé, segundo diziam algumas
pessoas, fugindo depois de tentar se vingar de uma desilusão amorosa, na bala.
E o Valdir Pela Saco tinha vindo da cidade de Petrópolis trabalhar como
eletricista em uma obra e acabou ficando para sempre.
Depois de um brinde e muitas doses de cachaça
consumidas, sem esquecerem dos goles jogados para o santo, Ana Paula responsável
pela cozinha do sindicato, abriu a reunião reclamando do Fica Bobo Aí Manel que
em vez de ir pela amanha na praia ajudar os pescadores a puxar a rede para
ganhar peixes, passava o dia inteiro no bar jogando cartas e bebendo , onde foi
rebatida por ele dizendo que ela de vez em quando, fazia a alegria da garotada
e não dividia a grana . E ela rapidamente mostrou para ele um canivete que
sempre carregava numa bolsa a tiracolo, cuja lâmina brilhava ao sol que
adentrava o bar. O Índio que costumava andar com uma espécie de
porrete feito de um taco de sinuca, reclamou do Macaé que só aparecia no
sindicato quando estava bêbado para comer e tentar pegar Ana Paula, e que o
dinheiro ganho através dos consertos de fogão que fazia pertencia a ele, assim
como a casa invadida onde todos moravam e que tinha mais era que receber um
aluguel de todo mundo, e não ia sustentar nenhum vagabundo, e foi aí que o pau quase quebrou. Manuel Dandá
Neném sentindo-se ofendido pegou uma garrafa de cerveja, vazia é lógico , disse
que vagabundo ele não era, já que vendia jornais , e vagabundo era Mingolo que
em vez de trabalhar de eletricista, bebia cachaça o dia inteiro, o que foi
desmentido pelo Valdir Pela Saco sócio de Mingolo nos bicos elétricos e nas
dose de 51, e o Mingolo no alto de seu um metro e meio, partiu para cima de
Manuel Dandá com uma chave de fenda na mão, e quando todos pensavam que iria
acontecer uma tragédia. O Cacaia gerente do bar grita : Vamos parar com essa
confusão, seus vira latas cachorros, ou boto todo mundo para fora agora, e
proíbo servir cachaça a todos vocês durante uma semana. Depois desta ameaça que
para eles significava uma semana sem bebida, quase um século, começaram a pedir
desculpas uns aos outros, trocaram abraços, apertos de mãos e, em seguida levantaram os copos e brindaram á saúde do gerente Cacaia, que ainda foi obrigado a escutar o coral de bebuns cantando: "Cacaia é um bom camarada e ninguém pode negar" umas quinze vezes.
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