terça-feira, 9 de julho de 2013

SINDICATO DO ÁLCOOL
Naquela tarde quente no Bar Nascimento acontecia uma reunião que prometia com certeza acabar em confusão. Índio, Manuel Dandá Neném, Ana Paula Batalhão, Macaé, Fica Bobo Aí Manel, Mingolo, e Valdir Pela Saco, faziam uma espécie de prestação de contas da grana arrecadada e das cachaças consumidas durante a semana.
Ninguém sabia dizer ao certo quem chegou primeiro em Búzios, ou como se conheceram, mas aquela amizade etílica acabou virando uma verdadeira família etílica. E viviam todos em perfeita harmonia, digo confusão, naquela casa em ruínas em plena Rua das Pedras.
 O Índio que consertava fogões dizia ter abandonado a tribo, já que o rio já que margeava a aldeia, não o satisfazia mais e ele precisava conhecer o mar. O Manuel se dizia mexicano e ex-combatente, mas descobriram depois que ele era garçom no Rio Grande do Norte. Da Ana Paula souberam que ela tinha uma família até com uma boa situação financeira, quando descobriram que ela estava em Búzios e vieram busca-la. Macaé ninguém sabia de onde veio, já que no tempo que estava sóbrio não falava com ninguém , mas bêbado falava o tempo todo repetindo tudo que escutava durante o dia. O tal do Fica Bobo veio da cidade de Campos e não sabia ou não queria fazer nada. Mingolo tinha vindo da cidade Macaé, segundo diziam algumas pessoas, fugindo depois de tentar se vingar de uma desilusão amorosa, na bala. E o Valdir Pela Saco tinha vindo da cidade de Petrópolis trabalhar como eletricista em uma obra e acabou ficando para sempre.
Depois de um brinde e muitas doses de cachaça consumidas, sem esquecerem dos goles jogados para o santo, Ana Paula responsável pela cozinha do sindicato, abriu a reunião reclamando do Fica Bobo Aí Manel que em vez de ir pela amanha na praia ajudar os pescadores a puxar a rede para ganhar peixes, passava o dia inteiro no bar jogando cartas e bebendo , onde foi rebatida por ele dizendo que ela de vez em quando, fazia a alegria da garotada e não dividia a grana . E ela rapidamente mostrou para ele um canivete que sempre carregava numa bolsa a tiracolo, cuja lâmina brilhava ao sol que adentrava o bar. O Índio que costumava andar com uma espécie de porrete feito de um taco de sinuca, reclamou do Macaé que só aparecia no sindicato quando estava bêbado para comer e tentar pegar Ana Paula, e que o dinheiro ganho através dos consertos de fogão que fazia pertencia a ele, assim como a casa invadida onde todos moravam e que tinha mais era que receber um aluguel de todo mundo, e não ia sustentar nenhum vagabundo, e  foi aí que o pau quase quebrou. Manuel Dandá Neném sentindo-se ofendido pegou uma garrafa de cerveja, vazia é lógico , disse que vagabundo ele não era, já que vendia jornais , e vagabundo era Mingolo que em vez de trabalhar de eletricista, bebia cachaça o dia inteiro, o que foi desmentido pelo Valdir Pela Saco sócio de Mingolo nos bicos elétricos e nas dose de 51, e o Mingolo no alto de seu um metro e meio, partiu para cima de Manuel Dandá com uma chave de fenda na mão, e quando todos pensavam que iria acontecer uma tragédia. O Cacaia gerente do bar grita : Vamos parar com essa confusão, seus vira latas cachorros, ou boto todo mundo para fora agora, e proíbo servir cachaça a todos vocês durante uma semana. Depois desta ameaça que para eles significava uma semana sem bebida, quase um século, começaram a pedir desculpas uns aos outros, trocaram abraços, apertos de mãos e, em seguida  levantaram os copos e brindaram á saúde do gerente Cacaia, que ainda foi obrigado a escutar o coral de bebuns cantando: "Cacaia é um bom camarada e ninguém pode negar" umas quinze vezes.

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